sexta-feira, 16 de abril de 2010

Ela voltou ao quarto

Ela se levantou da cama e puxou junto um pouco do lençol que me cobria. Não importava... o ambiente no meu quarto tava quente, mesmo com o ventilador de teto ligado no talo. O cheiro que circulava entre roupeiro, mesa, TV e cama decerto era bem diferente do aroma natural da casa. Um misto de suor, cama molhada, vagina, pênis, látex, bunda e cabeças. Devia de tá um horror, mas me acostumei.

Ela foi até o banheiro se lavar. Joana estava pingando de meu esforço, com marcas de mordidas, beijos violentos e dedos nervosos. Vestiu uma camisetona GG que eu tenho estrategicamente disposta para auxiliar meninas a circularem à vontade em minha residência. Ela estava desesperadoramente gostosa naquele fim de tarde. As pernas judiadas pelo namoro-casamento montado às pressas não se deixavam obliterar pelas poucas cavidades de celulite.

Era lindo de ver sua bunda enorme e firme escapando dos limites da bainha da camiseta, entrecortada pela calcinha brega (cheiro artificial de morango). Seus seios pequenos fincavam sofregamente a roupa, como quem querendo crescer para me agradar mais. Nem precisava, pois seus quadris eram de fazer eu cometer um crime para morar dentro daquelas carnes todas. Delícia.

Uma mulher completa, já, aos seus 17 para 18 anos. Precisava mesmo sair de casa, morar com algum gaudério xucro que lhe bancasse casa e comida. Seus pais deveriam sofrer o inferno com ela e sua irmã, já mãe. Meninas querendo pular a janela de casa para dar para algum pobre trabalhador-braçal que lhes agradem incomodam toda a vizinhança. E eis aqui ela, casadinha e se entregando para um cabeludo sujeira como eu.


E dava, meu Deus! Parecia gastar a vontade de meses. Todavia, não colaborava nem uma beirada para fazer com que eu entrasse em seu corpo branco. Deitada na cama toda errada, acusava notável inabilidade de fazer uma das coisas mais simples do mundo, totalmente submissa. Ao beijá-la enquanto a penetrava, dava pra sentir uma felicidade oblíqua, depois confessando que seu marido não fazia isso quando a tomava como mulher. Romantismo zero do cidadão... e ponto pra mim. Pelo que gemia, eu tava no caminho certo. Sublime.

Joana deixou a porta aberta. Eu podia ver sua movimentação calculada. Baixou a calcinha brega, sentou com jeitinho e ouvi o barulho de líquido descendo... pensei nos meus amigos pirando num negócio desses; na certa, sugeririam brincar de chuva dourada; um asco! Pegou bastante papel para se limpar, imaginando que eu continuaria no saboroso oral feito com vontade nela. Era cheirosa. Não, ela tinha um cheiro neutro, de corpo, não daquelas mulheres de pele grossa, com foliculite e cheirando a bunda o tempo todo.

Foi à pia, abriu o armarinho, pegou uma escova de dentes (a minha, sem problemas), encheu de pasta barata e começou um balé com os braços. Pude ver de longe os delicados movimentos que seus braços servis descreviam no ar, guiando minha escova em sua boca. Pelo canto, a espuma escorria e caia na porcelana. Logo pensei besteiras, que certamente colocaria em prática tão logo pudesse. Doce. Demorou naquilo. Cuspiu algumas vezes e, finalmente, se lavou, limpou todo o rosto, buscou um pente e alisou seus cabelos castanhos ondulados. Ela olhava em direção à minha porta, mas não me via por conta da escuridão. No rosto, uma expressão quase burocrática, de quem já fizera tantas vezes os mesmos roteiros. Secou seu rosto e voltou para meus aposentos. Linda.

No quarto, me perguntou o que eu estava olhando. Bem, não é todo dia que uma mulher corpuda daquelas entra tão desavisadamente no meu ninho. Eu tinha o direito de curtir minha conquista e dar risadas de meus tempos de outrora. Lembro bem da vez em que peguei uma caipira com pele italianada e fui adentrar a pequena em seu quarto, na casa de seus tios, que a criavam. Sob a tutela deles, a menina (homônima à cidadã que estava de pés descalços agora em meu antro) não poderia “ficar trancada no quarto”. Um dia chaveou a porta e foi advertida com grossura. Pais ou tios não querem que façam com suas filhas e sobrinhas o que eles mesmos fizeram com as filhas e sobrinhas dos outros. Situação embaraçosa. Pois agora havia uma mulher decidida e com poucas amarras (hoje, casório é amarrinha mixuruca), que por mais que fosse medida em seus modos, tentando, sei lá, não parecer tão atirada, podia se trancar comigo sem receios.

Que tarde aquela! Seus cabelos ainda continham nós por conta de minhas mãos domadoras de sem-vergonhas. Ela já estava arrumando os tênis para vestir. Desvirou as meias rosas, desvirou uma perna de sua maldita calça saruel, ajeitou a calcinha, juntou o sutiã e se jogou de volta na cama, num ímpeto de fofura. Por que será que eu achava coisas tão banais, feitas por uma mulher razoavelmente banal, tão interessantes? Ela fuça em sua bolsa, revira carteira, pega o celular, olha a hora e comete um crime...


Eram fotos do afilhado ou de alguma criança nojenta qualquer.


Fotinho de afilhado no celular, NÃO!


Dei dois reais para o ônibus e mandei-a embora na hora.

terça-feira, 13 de abril de 2010

A cerveja e o ladrão

— Mmm... hehehe, pelo visto não sou só eu que vou tomar cerveja pra ver o jogo hoje...
— É, hahahaa... tem que ser, né? Não tem coisa melhor.

É, ter, tinha. Acho que minhas duas long necks mostravam um gosto mais refinado que as seis latinhas da Ludmila em cima do caixa do supermercado.

Muito comum esse nome onde moro. Impressionante.

Enfim, aqueles quadris judiados sumiram de minha vista logo a seguir. Judiados mesmo, coisa de mulher tratada a trago, noites mal dormidas, cerveja, comida e anticoncepcionais desencontrados. Mas tinha charme, a putaça. Parecia um carro antigo, uma Kombi, com quilômetros rodados, terrenos difíceis vencidos, reformas mal feitas, branca e cheia de utilidade ainda. Tivesse eu oportunidade, pegaria a Ludmila. Mesmo que eu soubesse que não era tarefa tão complicada assim.

Minha vez de pagar minhas cervejas. Enquanto eu estava ali, adentrou um sujeito acompanhado de sua decadente esposa, um pobre diabo na certa devedor das calças a alguma loja que lhe enterrou juros e tudo o mais. Foi provavelmente comprar mantimentos e antepasto para sua enorme família de ranhentinhos. Entrou no mercado com uma camiseta dessas associações futebolísticas semi-amadoras de alguma favela. Perdão, de alguma comunidade, enfim.

Algo se movimentava suspeitamente debaixo de sua camiseta e eu pensei que era algum guaipeca sarnento que ele devia chamar de “meu cusco”. Não pensei em armas ou algo assim, pois estava com os quadris da Ludmila ainda povoando minha cabeça imunda. Mas logo saquei que era o maldito braço do cara, certamente quebrado e tapado de gesso. Botou o braço pra dentro da camiseta a fim de proteger aquela bosta da fina chuva que assaltava Taquara.

Caso encerrado pra mim. Mas uma tia, com seu carrinho cheio de comida de rico, ficou encucadíssima com aquele organismo enorme se mexendo debaixo da camiseta do cidadão. Deve ter pensado tratar-se de alguma arma de fogo ou algum disfarce ridículo para algo que ele poderia roubar de dentro do mercado. Fiquei pensando na falta que faz um quadril na mente das pessoas nessa hora.

Imaginei, também, que ela iria direto nos ouvidos dos meganhas do mercado acusar a presença de um malfeitor no convívio de pessoas decentes. Os seguranças, temerosos pelos clientes, todos cretinos, claro, iriam abordar o pobre bicho:

— Ô, rapá, aquela dona lá disse que tu tá ferrado aí, malandro!
— Capaz, capaz! Tô com a porra do meu braço fodido pra caralho... aqui, ó!
— Perdão e desculpe-nos.

O trabalhador-braçal se dirigiria até a velha e diria algo do tipo:

— Minha senhora, quando não tiver nada para fazer, favor comprar comida pra minha família, que passa uma fome do inferno!
— Mas, mas...
— E casa um crivo pro maridão aqui, também...

Seria um desaforo à falida sociedade taquarense. Nada de pedidos falsos de desculpas. Uma cesta básica todo mês para alimentar uma tigrada seria melhor.



Paguei as cervejas capitalistas e opressoras e esperei uma goleada. Mas não contra o meu time, como foi o que aconteceu. Os quadris esbagaçados de Ludmila fariam melhor ao meu ego.

sábado, 10 de abril de 2010

Solos: coisas que vieram à cabeça numa manhã de insônia:

  • Os anos 80 causaram um rebu mesmo nessa década. Por mais que as camisas xadrez estejam voltando, apontando talvez a imersão inevitável nos anos 90, a década dos Changeman ainda dita moda. Mais uma prova, se é que você não se tocou que a coisa tá cheia de cor mesmo:

  • O Jota Quest andou aparecendo em um comercial de TV do tal "Monange Dream Fashion Tour", uma mistura de show com desfile, pelo que eu entendi. Não achei no Youtube, mas peço que você lembre dos bonequinhos coloridos dançando, de pano de fundo, enquanto era anunciado local e hora do rico evento. Bonecos, esses, colocados de maneira simétrica, cada qual com uma silhueta colorida, tipo mais ou menos isso:

  • Que que isso tem a ver com os anos 80? Bem, a Legião Urbana já tinha feito algo semelhante em 1986, na capa de seu compacto "Tempo perdido" (isso eu sabia desde 99):

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Nas ondas da rádio-baile

- Mmmm, pensei que tu não ia mais vir...
- Capaz... e eu ia deixar de sair contigo, decerto?!

Era a segunda ou terceira vez que eu ia sair com a Juce. Era uma menina que não tinha droga nenhuma, nem uma porcaria a ver comigo. Era, no máximo, simpaticíssima e prestativa. E tinha um razoável charme. Meu parça, o Costela, disse que era incrível que nós encontrássemos charme nessas mulheres, pois só assim justificaríamos o bagrêdo que pegávamos. No caso da Juce, consegui meus intentos sórdidos na 1ª vez; agora, queria mais uma.

Estacionei meu carro na frente da casa dela, uma dessas construções feitas a esmo, um sobrado sem a menor graça, virado em lajota lisa no chão e paredes cinzas de cimento mal misturado. Achava um horror aquilo, mas era a casa dela, enfim... devia se sentir bem dentro de seu quarto com estantes viradas em caixas de sapato. Foi ali onde rolou uma sessão safadíssima no último encontro.

- Fica aqui na sala, enquanto eu me arrumo no banheiro.
- Chuchu beleza...
- Quer ouvir uma música? Vou ligar o rádio.

Temi. Vai saber que tipo de música gostava a menina... nem deu tempo de eu pensar. Ele foi direto ao dial e colocou na mais popular das rádios da região. Desceu em meus ouvidos uma torrente de melodias do fino do baile de periferia alemã. Vai saber quanto tempo a Juce iria se demorar naquela afeitação toda. Que agonia, meu Deus! Passearam na minha frente toda a sorte de trabalhadores-braçais e seus tios e tias e primos e casamentos fracassados, dançando na pista ao som de trompetes mexicanizados e animação vocal para cães. Uma merda! O que o cidadão não faz só para sair com alguma incauta qualquer...?! Um dia eu tomo tento. Talvez não.

- Tá prontinha, já? Vamos lá!

Coloquei-a no carro e vislumbrei a noite de prazeres que teria. Ela estava bonita para seus padrões minguados. Usava roupas que o dinheiro permitia comprar... e isso era pouco. Uma vez eu estive num puteiro cretino do quinto dos infernos. Fomos levar um amigo nosso de uns 20 anos que tinha uma timidez de ostra e um hálito miserável. Levamos o pobre para conhecer os prazeres da carne nesse antro de mulheres automatizadas e judiadas.

Depois de muito convencer as tias de que o rapaz merecia coisa melhor, por ser sua 1ª vez, eis que surge Graziane, algo assim, a última cartada da cabana para que os rapazes dali não saíssem de pinto abanando. A moça era bonita, mas aquele bonita meio acaboclado, sabe? Morena de trabalho sob o Sol... parecia que a desgraçada trabalhava com a fuça recebendo raios solares o dia todo, sem creme nem nada. Suas roupas eram de puta pobre. Notoriamente, Graziane meteu seu vestido vermelho e seus tamancos no intuito de ficar bonitinha... até ficou, mas não por conta de seu visual deprimente.

Juce estava nesse espectro, tadinha. Tão boa pessoa, ela. No caminho para minha casa, enfadado daquele baile todo, me deu a louca e achei legal botar os cachorros nela. Sei lá porque cargas d’água eu desatei a discutir seu gosto musical:

- Olha, Juce, nós vamos chegar em casa e vamos ouvir algo que preste e tudo o mais...
- Tu tá dizendo que meus bailes não prestam? Eu gooosto...
- Não tô dizendo isso. Mas você já é grandinha e pode ouvir certas coisas... sabe? Tipo, tu passou da idade de ouvir bailão há horas... isso aí é coisa pra gente que tem menos de 15 anos e...
- Ai, eu não falo dos teus gostos, bla, bla, bla...

Climão bacana no carro. Só eu mesmo. Um dia tomo tento na vida. Ou não.

Chegamos (“cheguêmo”, como diriam esses infelizes operários) em minha casa e Juce desceu do carro. Corri para fechar o portão e só aí percebi a cara beiçuda da garota encostada no meu carro.

- Ei, Juce... qualé?
- Ah, tu só fica me xingando, dizendo que eu só ouço porcaria... me leva pra casa!
- Ah, que isso, deixa disso, vai...

Aí, veio uma profusão de um papinho louco de mole para convencer a mocinha de que eu não falei nada por mal. Funcionou: em 10min, estávamos sem as malditas roupas.

Quanto a meu amigo? Bem, eu marchei com 27 reais dos impensáveis 40 cobrados por Graziane, por meia hora de prazer. Quando fomos buscar o cidadão, carregamos o vitorioso no colo e fizemos festinha nele.

- Curtiu, então, seu safado cretino?
- Fffffoi bom...
- Mas ahh, guri veio!
- Ainda quero voltar lá...
- Óóóó... pegou gosto pela coisa? Eu sabia, ahhaha... que massa, meu!
- É... é para fazer direitinho, daí...
- Que, meu? Mas... mas...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Vamos comer cachorro-quente?

Vamos comer cachorro-quente no Klutz? – perguntou Melissa.

Ela sabia que eu estava morrendo de fome. Eu sempre classifiquei uma janta como sendo o ápice da bundamolice entre pessoas de um mesmo grupo social, mas um cachorro de tarde, naquele frio razoável, não me parecia mau.

— Klutz? É bom esse troço aí?
— É triiii bom. Bah, todos meus amigos comem lá quando podem...


Ó, o lugar tinha esse infeliz crédito. Os amigos freak da Melissa iam lá... uau! Isso não me cheirou bem. Começa pelo fato de que eu conhecia os amigões comedores de cachorro-quente que ela tinha. Eram um bando de cabaços! Certamente, se dessem merda a eles, esses tapados comeriam e diriam para todo mundo que era a melhor merda desse mundo. E outra: tenho trauma desse tipo de comida em Porto Alegre.
Quando eu tinha uns 12 anos, fomos numa Brasília até a Vila Nova, numa exposição de sei lá o quê, pouco me importava. Na saída, pedi um cachorro-quente pra minha mãe. Ela parou numa carrocinha e comprou. Fomos muito bem atendidos... na verdade, atendidos de maneira a sentir pena do casal que preparou a refeição. Senti algo estranho quando mordi. Claro, faltou o maldito molho! Tenho uma teoria, que não queria ver funcionando no Klutz: toda vez que um cidadão é muito bem atendido, ou atendido de maneira a pensarmos “puxa vida, que gente trabalhadora”, é sinal de mau agouro. É fatal. A comida será ruim. Bem atendido? Comida ruim. É o que penso.

Chegamos ao Klutz, que fica no amontoado de lojas decrépitas do edifício da antiga Ajax. Minha mãe trabalhou na empresa, de secretária dos altos chefões. Dizia ela que os caras a tratavam numa boa e o ambiente era tranquilo lá nos andares de cima. As mulheres da firma trabalhavam nos andares inferiores, e diz ela que era um saco aquilo. A mulherada causava um puta alvoroço quando atuava junta. Era choro de TPM pra cá, ciuminho pra lá, pé na bunda... até imagino a cena. Essas histórias devem estar gravadas nas invisíveis rachaduras desse tipo de prédio, que é definitivamente feito de pedra, com lágrimas e absorventes escorrendo pelos ralos de ferro, manchas de caneta e batom e madeira de encostos riscados nas paredes e carpetes gastos e manchados de mofo.

O Klutz era um local pútrido, nojento e com aparência de ensebado, mas por essa razão e por manter uma decoração brega e geométrica, misturando eucatex vermelho, amarelo e preto, com espelhos em formato de xadrez, parecia legal. Comecei a confiar na comida do Capitão Klutz.

— Vamos lá pro 2º andar. Eles servem lá também.
— Bora lá, então... dá pra ver a Borges lá de cima?
— Dá, sim. Vem, vem...



Eram três andares. Todos com a mesma aparência de restaurante que estava pronto para ser fechado pela vigilância sanitária. Pobre edifício da Ajax. Agora tinha mais essas histórias para contar. E eu pensando que iria me esbaldar com uma lauta comidinha.

— Opa, camarada... o que o casal vai querer? – Fodeu: fui bem atendido.
— Bah, me vê um com duas calabresas.

Imaginei que as lingüiças deveriam ser finíssimas... bem, eis que chegou o demoradíssimo cachorro. Deusducéu, quem são os cretinos que fazem essas comidas? Ah, sim, claro, decerto os mesmos cretinos que comem essas drogas. Aquilo parecia uma barca! Sério, parecia uma merda de uma grande canoa cargueira, carregada de muito milho, inconcebíveis ervilhas, duas calabresas enormes e uma quantidade incomum de maionese.

A última vez em que comi algo parecido foi no melhor lugar de Porto Alegre para esse tipo de coisa, super premiado por toda a crítica. Fomos fazer um show dos infernos na Goethe, numa terça. Previsão de pouca gente, que se converteu a zero ao, bem na hora de nosso lanche, desabar o Atlântico todinho na capital. Chegamos ensopados no Cachorro. Eu, particularmente, só lembro do queijo ralado por cima da mesa e uma cara de insatisfação cômica dos convivas. Pois no Klutz, trocou-se o queijo pela maionese, sem eu saber se era industrial ou caseira.

Um dia eu surgirei com uma droga de comida dessas na frente de uma mesa onde estarão sentados os imbecis que elegem essas merdas os melhores cachorros-quentes do mundo, ao lado dos incontáveis debilóides alternativóides que acham que gostam disso. Eu pegarei os cachorros todos, dentro de suas medíocres embalagens de papelão, e farei um tiro ao alvo na cara dos otários. Será uma punição debochadíssima! É, eu acho que seria legal nesses torneios onde recebem suas medalhas de latão haver também um prêmio-abacaxi para quem perdesse. Tipo, uma torta de chantilly na cara... não, um cachorro-quente do Klutz. Direto na cara do perdedor, com a plateia toda rindo pra caralho. Poderia ser um palhaço, desses tristes e sofridos animadores de aniversários infantis, o sujeito a jogar a comida na fuça dos derrotados. Merecido.

Melissa parecia se deliciar com a comida. Tinha uma maldita prática em enfiar coisas grandes pra dentro da boca. É, eu bem já sabia disso. Mas eu... na segunda mordida, eu consegui o que temia: engraxar o chão com uma vistosa golfada de maionese, molho, milho e ervilha. Fez plush no chão! Era muita coisa no piso e na mesa de 15cm de comprimento e 3m de largura. Pensando bem, já que eu estava deprimido com o fato de não poder matar minha fome com certa tranqüilidade, resolvi avacalhar mesmo e deixar com que as gotas mil desabassem pelo chão, cadeira e mesa. Haveria algum trabalhador-braçal morador de Alvorada que limparia aquilo e, de saco cheio, transmitiria sua indignação ao dono do Klutz:

— Porra, chefe... tá foda de limpar isso aqui todo dia!
— Qualé, Jeremias? Tá querendo trabalhar em outro setor ou vai pular fora?
— Nada, seu Álvaro, mas bah... essa graxa da maionese tá fodendo com meus tendões...
— Não gosta dos nossos cachorros-quentes? É isso?
— Pra dizer a verdade, prefiro os da carrocinha aí da frente. Eles não exageram na maionese e no milho. Experimenta limpar caaaada mesa depois que comem aqui. É uma droga! O que sobra diariamente no meu balde d’água daria pra alimentar a vila Cavalhada II facinho!
— Ora, mas vá para a...



Nenhum patrão gostaria de saber que está gastando além do normal e do necessário com suas coisas. Principalmente pela boca de um funcionário, que escolheu não viver o lado alternativóide da vida e não aplaudir tudo que lhe dizem ser delicioso.

Pagamos a porcaria dos cachorros, eu blasfemei muito contra as enormes calabresas cor de vinho e fomos pela Borges a pé. Um mendigo me pediu alguma comida e eu o mandei buscar na lata de lixo da espelunca atrás de mim.

Na altura do viaduto, peidei para deixar a situação tragicômica também para Melissa. Não era justo só eu tomar aquela foda.

domingo, 7 de março de 2010

A preocupação não é o funk (parte 2)

O que deveria preocupar a cabeça dos amantes de música roqueira é a quantidade exorbitante de caras que poderiam fomentar uma cena musical, já que ela é inexistente (emo conta?).
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Vamos pontuar dois casos muito graves que ocorreram nos últimos 5 anos nesse Brasilzão. Depois da volta do RPM, achei que estaria de volta a época de shows grandiosos que não tivessem a ver com Jota Quest e seu patrocínio da Fanta. Ledo engano. Meia dúzia de apresentações e o bando do maestro do Faustão se desmantelou pela segunda vez na história. Os egos, infladíssimos, ruíram minhas esperanças de vez.
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Dos pedaços do grupo que assombrou o país nos anos 80 com vendagens astronômicas de discos, saíram duas bandas novas: LS&D e PR.5... coisas finíssimas, bicho. Se você nunca ouviu falar de alguma dessas, acredite na sorte e nas benésses do acaso, que lhe protegeram enquanto você andava distraído.
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A primeira banda misturava Fernando Deluqui e Luiz Schiavon a um cidadão chamado Lazzaroto, oriundo de uma tal de Sub Verso. Gravaram um disco e colocaram música na abertura da novela "Cabocla". Esse som destoa do resto do disco, simbolizado por uma do antigo conjunto de Lazza, a ruim "Novo dia". Ganhou fácil o prêmio de Pior Clipe da década.
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A segunda foi um projeto imediato pós-saída de Paulo Ricardo e P. A. Pagni do RPM. Pensou que ia rolar coisa boa, né? Bem, como eu bem lembro de uma entrevista do comedor da Luciana Vendramini para a Revista Zero, onde dizia que "precisava desesperadamente incorporar elementos de música brasileira no som doPM", é visível que o fracasso era questão de tempo. O som "Música comercial" foi um acinte a qualquer estudo filosófico ou artístico feito até hoje. Misturar Sonic Junior (adorada pela Show Bizz), ritmos folclóricos, batidas eletrônicas e guitarras hypadas não dá!
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Mau gosto, anacronismo, burrice, falta de noção e vergonha, mundo-paralelismo. Tudo junto, numa estocada só! São duas amostras de que se temos que ter medo de algo na música, não é de gentalha como os funkeiros do Rio. É dos barbados velhos, que poderiam estar elaborando canções perfeitas, mas preferem deixar um legado de terror para os filhos de seus filhos.

Solos. Coisas que me vieram à cabeça após uma experiência estranha com piña colada.
  • Fui ao show da Plano Z, reabertura do Tio Remi, em Igrejinha. Show bacana, amigos de sempre e tudo o mais. Passo pelo Thiago Heinrich, vocal e guitarra do grupo, comentando: "Ah, meu, não vai começar com essa frescura de diminuir o tamanho do cabelo...". TH de voleio: "Hahaha... é, mas pelo menos eu não uso chapinha!".
  • 1 x 0.

sábado, 6 de março de 2010

A preocupação não é o funk (parte 1)

Não é. Já deu no saco as reclamações emanadas da turma de preto clássica ou das meninas que descobrem que seus cérebros são mais maleáveis que seus infelizes corpos. O sexista funk carioca (doravante chamado de batidão, para não confundir com o não menos sexista funk americano de James Brown) é visto como o mal que assola os corações humanos desde que tomou as ondas do rádio no começo deste século. A "Feira de Acari" é café com leite frente ao Bonde do Tigrão. Os opositores do estilo o acusam de maltratar a mulher, a moral e os bons costumes, com letras que induzem à violência física, depreciação da imagem duramente construída pelos grupos feministas e ao desapego sentimental em prol da diversão fácil e sem princípios.
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Papinho chato quando se tem mais de 25 anos. Você ja sabe onde começa a reinação e onde fatalmente termina (sim, acaba você pegando o bagre que está reclamando a noite toda). Mas botemos os botões corroídos pelos excessos da noite para pensar muuuuito friamente: afinal de contas, o que importa se o batidão fala aquela bobajada toda?
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Sério. As letras falam que as mulheres são cachorras, que gostam de apanhar, que topam envolvimentos rápidos e toda a ordem de fetiches clássicos... e não é verdade tudo isso? Vou tentar lembrar de alguma guria que eu tenha comido (sim, pois alguém come as meninas, não?) e que não tenha gostado de um mínimo de "imposição masculina". Mmmmm... é, todas gostaram.
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Algum rapaz conhece uma mulher que, entregue aos prazeres da carne, não goza a vida com um puxão de cabelos ou pequenos (às vezes grandes) tapinhas? Que não gosta de se sentir desejada, mesmo que devamos usar palavras baixas para mostrar que queremos preencher seus vazios interiores? Alguém viu alguma piriguete dançando até o chão... chorando de raiva?
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Deve haver mulheres assim. Mas provavelmente as que não aprenderam que seus corpos pedem certos exageros que os Tigrões muito maliciosamente escancararam em suas poesias de traficantes. Aceite que o problema da música não é o batidão. É outro...
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Solos. Coisas que não renderiam um texto longo ou crônica metida a engraçadinha.
  • Meu amigo Fábio Fischer descobriu um destruidor de tanques maneiro no Youtube. Parece que as Organizações Marat já estão adaptando um modelo desses para atingir em cheio a carroceria de carros de som de Centro.
  • O Destruidor de Carros Marat 2010 vem com quatro opções de ataque: 1) Chevette rebaixado; 2) Golf/Vectra GT; 3) picape Corsa ou Saveiro; 4) Nissan Frontier. Há um tipo mais brando, de menor poder de destruição, sendo desenvolvido mirando o extermínio de motos Honda Biz com equipamento de som. Em breve!
  • Justifica-se a tecnologia: com esse artefacto em mãos, poderemos fazer justiça a quem quer passear pelas ruas da cidade sem ter seu ouvido ferido por Dejavus e Parangolés.