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terça-feira, 5 de março de 2013

Flores embaixo do meu travesseiro


Dar flores. Um dos mais ardilosos argumentos materiais já inventados pelo homem. Provavelmente proposto por uma donzela-em-perigo:

- Lêidi, tu sabes que te amo!
- Oh, Lórdi, então me prova isso!
- Como poderei provar esse amor maior que o mundo que nutro por tua pessoa, Milêidi?
- Com um doce e bucólico buquê de rosas silvestres, nobre cavaleiro!
- Pfff... taqueopariu...

Mas eis que apesar do preço empobrecedor de trabalhadores-braçais que um amontoado de plantas tem, o troço volta e meia funciona. Sabe, sempre achei que essa parada fosse mó clichê (bom, não deixa de ser) e tentei comoventemente usar a quebra de padrões como marca própria.

Mas testei antes. Não é assim "Pá, tive uma ideia do caralho!", não. Testa-se a teoria em amplo período de tempo e em várias cobaias até chegar próximo da perfeição.

Comecei com a Fernanda, namoradinha que estudava francês. Ia visitá-la de moto na cidade ao lado e achava que em pouco tempo teríamos um relacionamento próspero e duradouro. Inovei: em vez de flores de floricultura, sementes de amor-perfeito. Ela plantando soaria como o cultivo do amor entre os dois. Não te parece genial? Pois é, pra mim parecia.

E Nandinha achou o máximo. Plantou mesmo, diz ela. O namoro durou duas semanas. 

Depois, testei com uma mocinha de longe, outro estado. Júlia era uma mulher interessante e que compreendia bem esses desvios de padrões. Num de nossos esporádicos encontros, lá fui eu com o mesmo pacotinho de amores-perfeitos. As sementes não vingaram, mas o namoro foi um pouco mais longe: 1 ano e 8 meses.

Acha que me dei por vencido? A parte alemã dos meus genes não deixa eu desistir fácil. A próxima era Laiana, e tentei essa parada de novo. Pacotinho de sementes da mesma flor.  Vamos combinar que amor-perfeito é bonitinho, né? Plantei junto com a guria, pra ter certeza. Tenho mão boa para fazer as plantinhas nascerem, tem que ver. Germinaram. O cachorro comeu tudo. Namoro que durou 5 meses.

Já abatido com isso, parti pra outro teste. Mencionei o assunto 'flores' com Isa:

- Bah, não gosto de flores...

Cobaia perdida. Nem o fato de eu ter feito um jasmim nascer de uma flor adiantou. Namoro durou 2 anos, com mais um ano de idas e vindas. Nem insisti com as sementes.

Entende? Eu precisava de algo que compensasse o complexo de feiura que carrego desde o 2° grau. Um dia vi uma lista como nomes de guris na mesa de duas meninas interessantes. Inocente, acreditei que fosse "Os Caras Mais Legais da Sala".

Não era. Fiquei em vice no campeonato interno dos mais feios. Perdi o título pro colega que sentava ao meu lado. Foda.

Com a próxima namoradinha, alterei levemente a estratégia. No lugar de um envelopinho com girinos de flores, um vasinho com uma já crescida e devidamente cultivada. Uma violeta, para desequilibrar a equação. Muito bem recebido o presente, pouco deve ter durado na mesa de trabalho dela. Assim como a relação: três meses.

Mesmo sendo brasileiro (ou germânico, como antes admitido), quase larguei de mão a pesquisa de campo. Não é fácil ter uma ideia fofa de cultivo de um romance e ser solenemente ignorado nas boas intenções. Então, seria mesmo o tal buquê de rosas a grande arma para atingir em cheio os corações femininos? Não, não podia ser.

Com Júlia busquei outra alternativa: uma florzinha simples, dessas que dão em árvore e tu estoura com os dedos. É mó charme a parada! E é meio sulamericano: os ianques não conhecem, vejam só. Então, dei uma desses botões pré-fechados para a moça, uma linda moça, e ela adorou!

Relacionamento? Dias, não mais que isso.

Quando vê, o esquema é usar os já defasados carros de mensagem na porta do trabalho da pretendida:

- Atenção, Fulana! Essa... é uma mensagem de amor!
(entra o som do clarinete de Kenny G ou o tema de Titanic e sai eu do Celta com rosas brancas polvilhadas de purpurina e cola cintilante e um texto padrão ao fundo)

Há alguma estratégia para as oportunidades vindouras? Nem eu sei. Basicamente esperarei que os discos de vinil aqui me deem alguma luz sobre como proceder nessa dura batalha pela arma perfeita na arte da conquista. Até lá, sem bombons, flores e cachorros-quentes.



terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Ensaio conclusivo sobre as relações humanas modernas

- Mas o que significa isso???
- É, mãe... é o amor da minha vida!
- Bom dia, dona Joana! Prazer em conhecer a senhora. Meu nome é...
- Nananananão! Não me interessa seu nome, criatura! Marquinhos, espero que tu tenha uma explicação!
- Calma, mãe... poxa, um pouquinho de respeito é bom, né?!
- Que que tá acontecendo aqui? Que balbúrdia é essa?
- Pai, a mãe resolveu implicar até com meus namoros agora! Não vai me dizer que tu também...
- Opa, opa, opa... namoro?! Ô, guri, tu tá brincando com nossa cara?
- Bom dia, seu Edevair! Muito prazer...
- Guarda pra ti esse prazer! Marcos Souza, foi pra isso que eu te criei? É pra chegar em casa, sem avisar nada e me dar esse desgosto logo a essa altura do campeonato?
- Mas, pai... eu acho que seria legal vocês ficarem por dentro dos meus relacionamentos. Depois vocês dizem que eu não conto nada pra ninguém, que tô escondendo meus sentimentos...
- Filhinho, mamãe sabe que tu só quer ser feliz...
- Exato, mãe. Eu quero ser é feliz. É assim que eu sou, queiram vocês ou não.
- Ai, ai... Joana, busca meu remédio pra pressão, rápido... não tô bem... dor no peito...
- Marcos, acho melhor eu ir embora. Posso conhecer teus pais em outra ocasião, né?
- Não! Tu fica, amor. Eles são meus pais e tem que entender, ora...
- Filho, teu pai tá passando mal. Eu te entendo e vou te dar apoio... mas tenho que confessar que minha dor é tão grande quanto a do teu pai!
- ... e me dói a alma vendo esse guri de merda me traindo dessa forma. Fui sempre um pai dedicado...
- Sempre, pai. Não posso reclamar.
- ... pra vir logo hoje e me mostrar seu lado mais desumano?! Tu tá sendo mesquinho, Marcos Souza! Tua mãe e eu estamos velhos demais para suportar a pressão. O que que os outros vão pensar de nós? Que a gente errou em algum ponto, claro! "Pais desinteressados, libertinos..."
- Para de drama, pai! Mãe, fala pra ele que é uma opção minha. Eu trabalho, estudo, sou um cara legal, todo mundo gosta de mim, não uso drogas...
- Sei, Marquinhos...
- Ele é uma pessoa boa, seu Edevair.
- Alguém diga para essa pessoa indesejada para ficar quieta! O assunto é de família! Marcos, tu só tem 16 anos... é assim mesmo que vai ser daqui pra frente?
- (suspiro) É, pai... é assim. Eu só... eu só não entendo o porquê de tanta ignorância por parte de vocês.
- A gente esperava mesmo que um dia isso ia acontecer. Quanto a namorinhos, mais que normal. Tu é jovem, tá na hora mesmo. Mas admitamos que fui pego de surpresa: nunca pensei que tu fosse namorar assim... desse jeito...
- Assim como, pai?
- ... com uma MULHER!