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domingo, 27 de junho de 2010

Butiás de bolso

- Oi, Marat, que bom que tu veio mesmo!
- Claro, Marília! Eu combinei contigo... isso para mim é uma convocação!
- Hahaha, bobo... tudo bem?
- Tudo! Cê tá linda, hein?
- Que isso... tu que é um fofo. Tu é bem diferente dos outros caras que me convidam pra sair.
- Ah, obrigado... assim eu vou ficar me achando mais do que já me acho.
- Sério... tu me trata que nem gente. Tipo, eu não sou essas patricinhas, tu viu onde eu moro...
- Olha, Mari, as patricinhas levam vantagem, geralmente, por 'n' fatores. E a questão é, sim, o fator dinheiro e status. Por isso que as meninas mais pobres começam a vida madura mais cedo...
- Como?
- Explico: se um cara chegar em ti, tu sendo de menos posses, e tu cortar o cidadão, ele poderá te chinelear às ganhas, lembrando indelicadamente onde tu mora e coisas assim. E vai te mandar à merda, deixando caminho livre pra outro. O processo vai continuar até tu começar a se sentir definitivamente queimada no meio masculino. Por isso, gurias como tu sacam que devem se entregar mais facilmente aos caras, justamente para manter a tranquilidade e não ser achincalhada de graça.
- É, é bem assim!
- Já as patriçoilas têm crédito. Um cara chega numa delas e certamente vai ouvir aqueles esparros típicos de gurias mimadas. Mas como ela tem grana e status, o cara vai insistir. Assim, a guria vai poder enrolar o máximo, sem que ela ouça barbaridades. Afinal, quem ousaria xingar uma menina que todos querem? Nisso, elas acabam descobrindo seu corpo muito mais tarde.
- Hahah... pior: esses guris são muito trouxas. Ficam se atirando em cima dessas gurias cheias de frescuras, hahaha...
- É, eu sei como é. Bem, mocinha, e para essa noite? Sugiro uns lugares legais, como o Divina Comédia, em Porto: lá tem umas bandas e tal e um som agradavelmente pop, mas com informação. Ambiente todo anos 40 e tal...
- Hummm...
- Tem aqui pela região o Pop Cult, em Noia, onde rola só bandas com som próprio e o lugar é mais lado B e tal. Tem o velho Tio Remi, em Igrejinha, onde eu já toquei umas 200 vezes e é sempre uma opção afudê e com bandas de Rock muito interessantes.
- Ai, tá... mas por que a gente não vai lá no Star? Dizem que hoje vai tá muito fera!
- Star? Aquele onde rola só bailão?
- Ééé! Vamos! Vai ser tri...
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Depois dessa, até achei que 3 pila pro táxi de volta saiu caro demais.

domingo, 22 de novembro de 2009

Já que é Rock...

Ainda dentro do espectro da impactante opinião anterior (que certamente abalará as estruturas das variáveis que sustentam as ligações atômicas universais): já repararam na quantidade de 'gente feia' que nosso estilo preferido abarca?
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Se levarmos em conta que cada um tem no seu íntimo um ideal de rosto e corpo perfeito, não chega a ser algo tão ilógico ou preconceituoso a ser pensado. É uma realidade.
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Não precisamos ser gênios para sacar isso. E sacar o porquê de ser assim: o Rock é um estilo que criou essa fantasia da iconoclastia, do 'nem tô aí', de ir contra o estabilishment... fatalmente contra os padrões do mesmo. E se os padrões se referem à estética de mulheres esguias e vaidosas, por que não ir pelo caminho contrário? Claro, é do Rock!
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Como, no entanto, mesmo que a 'gente feia' tenha encontrado nos braços do estilo um abrigo quentinho e fofo, as pessoas em geral ainda têm discernimento. Não adianta somente o camisetão GG com a carona do Cobain estampada. Tem que ter um cabelo vermelo purpúreo cortado em casa, a tatuagem, o All Star roxo cobrindo as grossíssimas canelas e acessórios infantis espalhados pelo corpitcho.
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O facto de ter uma tropa de cabeludos desgrenhados que topam essas encrencas faz aumentar o plantel roqueiro. Talvez seja uma coisa cultural, de moda e essas coisas conversáveis enquanto tomamos aquele vinho barato francês, o Perrgolá. O suíngue das músicas dançantes de bares e casas caras chama a atenção da mulherada gata. Geralmente (e sublinhe bem esse advérbio) a beleza é própria das castas altas da sociedade. Sabe como é: pai bonito e rico quer mulher bonita, aumentando as chances de ter uma prole plasticamente aceita.
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Aos pobres, restam os ritmos populares e o Rock. Ele, guerreiro, highlander, imponente, diz a todo o povo: "vem, que o papai te acolhe no colo!". Ali, nos fronts da escola de Ozzy, estão enfileirados, feios, bonitos, inteligentes, marginais, magros, gordos, negros, ruivos, amarelos, caucasianos, limpos, imundos, caretas, cabações e viciados. Quando não há uma tribo do hype na qual se encaixar, escolha a opção 2.
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O Rock.
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Solos: besteiras que me ocorreram enquanto eu escutava vinis em versões nacionais dos Bee Gees...
  • Que fim levou o tal GAS Sound, aquele concurso da Guaraná Antarctica na RedeTV?
  • Que fim levaram as bandas que 'brilharam' nos concursos de verão da Karaoukê e da Cult Music?
  • Que fim levaram os festivais todos do Vale do Sinos e Paranhana?
  • Que fim levaram as gráficas que faziam flyers, cartazes legais e faixas para divulgação de rua?
  • E por último: que maldito fim levou a banda Grand Prix, do Rio de Janeiro, que tocava um som próximo ao Oasis (fase 96), e que eu havia descoberto à época do Rock Way of Life, em 2004?