domingo, 18 de julho de 2010

LA TRIP: o trajeto

A viagem foi programada dessa forma, desde o início, para que pudéssemos contemplar o belo de cidades turísticas celestes e hermanas, além de termos a possibilidade de visitar o interior dos países. Por sermos gaúchos, temos nossa cultura, sotaque e costumes intimamente ligados ao modo de vida uruguaio e argentino. Seria lógico testar tudo isso com nossos hermanos.

O passeio será dividido mais ou menos assim:
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20, terça: saída de Taquara rumo à Pelotas, às 13:45. Dormimos lá. É o posto avançado da Trip. De lá partiremos rumo ao Sul de verdade.
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21, quarta: cedinho seguiremos rumo ao Chuí, depois Maldonado (para sacar a praia de Punta del Leste... ou a Punta del Diablo, o que vier primeiro). O objetivo é, na real, Montevidéu, onde dormiremos.
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22, quinta: La Ciudad Vieja, parte histórica de Montevidéu. Estádios, bares, lojas e gente. Dormiremos de novo.
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23, sexta: Saída de manhã da capital celeste. Rumo a Colônia de Sacramento, de onde chegaremos de balsa a Buenos Aires. Dormiremos na capital porteña.
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24, sábado: Buenos Aires e tudo que a cidade oferece: bares, estádios, lojas, lugares históricos e essas coisas lado B que a turma sempre acha no meio do caminho. Dormimos na cidade.
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25, domingo: E dá pra conhecer BA em apenas um dia? Não... definitivamente, não. Dormiremos depois por lá.
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26, segunda: Saída de manhã rumo à Rosario. Chegada à tarde. Dá tempo de curtir umas coisas por lá. Dormiremos.
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27, terça: .Dia inteiro para aproveitar a cidade de Maradona e Che Guevara. Última noite no lugar.
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28, quarta: Saída de manhã cedo rumo à Córdoba. Chegada à tarde. Tempinho para conhecer a parte universitária do lugar. Dormiremos por lá mesmo.
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29, quinta: Conhecer a cidade universitária. Dormiremos por lá.
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30, sexta: Saída cedo rumo a Santa Fe. É o segundo trecho mais longo da viagem. Dormiremos na capital da província.
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31, sábado:.Cedinho, rumo a Rivera para as compras do dia seguinte. Caminho comprido até a fronteira do Uruguai com o RS. Dormiremos em Rivera ou Santana do Livramento.
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01, domingo: compras pela manhã se os Free Shops estiverem abertos. Volta à Taquara, certamente sãos e salvos e tapados de histórias pra contar.




Dados técnicos:

- Integrantes de La Trip: Carlos "Kako" Brack (dentista), Vágner "Marat" Zíngano (professor e músico), Rômulo "Dóc" Carniel (dentista e músico) e André "Paleta" Amaral (jornalista e músico).
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- Veículo: Fiat Palio Fire Economy 2010, com 6.700 km rodados.
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- Música de bordo: Rock e algumas poucas variantes.
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- Material de registro: câmera fotográfica e de vídeo digitais. Canais de Twitter, Orkut, Facebook e Youtube (depois da viagem).
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- Patrocinadores: Marka Diabo camisetas, Mundo Imaginário comunicação visual e Downhill roupas e acessórios.

sábado, 17 de julho de 2010

LA TRIP: 2ª parte

Então, depois de testarmos a Kombi do Marat de todas as maneiras possíveis na praia de Garopaba esse ano, demos como certa a viagem nas férias de julho. A van correspondeu bem, andou rápido e aguentou várias vezes estradinhas esburacadas com lama e 8 pessoas dentro, sem negar fogo.
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Mas chega, então o fim de maio de 2010 e começamos a perceber que o integrantes do Bloco Também Tô na Pedra já tinham programado outras coisas para o meio do ano. De 7 ou 8 pessoas, vimos nosso plantel diminuir para quatro mancebos: eu, Kako, Dóc e Paleta. Viajar assim, numa Kombi, seria pedir para torrar dinheiro. É um veículo confiável, mas faz só 10km/l na estrada.
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O Palio do Kako! Eis aí a solução. A partir disso, começamos a arregimentar as coisas todas: carta-verde (um seguro internacional), revisão de quilometragem (o Palio tá atualmente com 6.700 km rodados), hospedagem (processo ainda não totalmente concluído) e lugares para visitar. Verificamos documentos pessoais e acumulamos dinheiro. Avisamos Deus e o mundo.
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E fui atrás dos patrocinadores. Na real, corri pouco em função disso. Tava cheio de coisas pra fazer, enfim... mas contei com a parceria do Murilo, do Felipe e do Nino Lee, que colocaram suas marcas (respectivamente: MUNDO IMAGINÁRIO comunicação visual, DOWNHILL bike and street roupas e acessórios e MARKA DIABO camisetas) no carro, garantindo, assim, uns bons pedágios custeados ao longo do percurso.
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O percurso: no próximo texto.

sábado, 10 de julho de 2010

LA TRIP: um pequeno apanhado de ideias

Eis que a turma toda vai finalmente encarar as estradas hermanas. LA TRIP é uma viagem de 10 dias por Uruguai e Argentina em busca das raízes castelhanas que os integrantes do passeio acham que têm.
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A ideia de uma tour pela América do Sul nasceu nos idos 2007, na saída de uma noitada alcoólica do Tio Remi, em Igrejinha. Eu, Paleta (o Costela de minhas crônicas) e Rômulo começamos a conjecturar sobre como faríamos para juntar grana e encarar as estradas do paralelo 30. Usamos como exemplo uma trip de amigos do Rômulo, para o Peru, e o pouco gasto que tiveram com gasolina e estadia. A ideia começou a fermentar violentamente na cabeça quase balzaquiana do pessoal. E seria, assim, o rito de passagem necessário, embora tardio, para a 3ª década de vida. Algo parecido com o que Che Guevara e seu amigo fizeram pela América Latina (sempre ela...) de moto, mas com o mesmo mote.
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O verão de 2009, na Praia da Pinheira-SC, serviu para fomentar nosso grupo. Batizada inicialmente de Bloco Também Tô na Pedra (ironia com grupos carnavalescos e com a droga estúpida da moda, o crack), a turma lamentou em primeira instância a falta de um carro como uma Kombi para arrastar as gentes pela praia e, futuramente, pelas calles porteñas. Dei início, então, à primeira fase da coisa: comprei uma Kombi.
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Chegando ao meio do ano, tínhamos em mente que as férias de inverno serviriam de motivo pleno para que deixássemos alguns dias de emprego, ou todo ele, para trás e montássemos o cronograma exigido para esse tipo de deslocamento. Logo pensei em captar patrocínios para ajudar nos pedágios e gasolina, coisa que nos aliviaria a conta final. "O Mará tem uma puta alma gincaneira", dizia Paleta.
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Só que a Kombi carecia de uma série de ajustes mecânicos e de uma lanternagem convincente. Até daria para fazer, caso eu tivesse tempo de sobra. Não tive: estava no início de um trabalho de conclusão que consumiu, junto com um estágio, meus neurônios para sempre. Mesmo assim, os membros do Bloco, eu, Paleta, Rômulo, Kako, Tomaz, Robson e Fabinho seguíamos em busca de informações sobre câmbio, estadia, lugares para visitar, etc.
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Saí com uma proposta de patrocínio debaixo do braço e tentei dois lugares, sem ter encontrado os responsáveis. Voltei para casa, sentei a bunda no sofá, liguei a TV e o Globo Notícias me avisa que a gripe do porco estava instaurada na Argentina, alastrando pro Uruguai e em breve tava todo mundo morto! Cem mil casos na terra do Gardel! Pensei logo: "Ninguém vai patrocinar um lance para levar 7 bagaceiros para um lugar infestado de gripe e trazer essa merda para cá!".
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Viagem cancelada. Fui xingado, ameaçado de excomungo até. Mas pude terminar (não muito) a chapeação da Kombi e o trabalho.
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Sabíamos que no verão ficaria complicado para nós, devido a Paleta estar conseguindo emprego, Kako também, Robson ter casado, Tomaz viajado... essas coisas. Fomos, então, testar a Kombi em nova viagem para Santa Catarina.
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(continua no próximo texto)

domingo, 27 de junho de 2010

Butiás de bolso

- Oi, Marat, que bom que tu veio mesmo!
- Claro, Marília! Eu combinei contigo... isso para mim é uma convocação!
- Hahaha, bobo... tudo bem?
- Tudo! Cê tá linda, hein?
- Que isso... tu que é um fofo. Tu é bem diferente dos outros caras que me convidam pra sair.
- Ah, obrigado... assim eu vou ficar me achando mais do que já me acho.
- Sério... tu me trata que nem gente. Tipo, eu não sou essas patricinhas, tu viu onde eu moro...
- Olha, Mari, as patricinhas levam vantagem, geralmente, por 'n' fatores. E a questão é, sim, o fator dinheiro e status. Por isso que as meninas mais pobres começam a vida madura mais cedo...
- Como?
- Explico: se um cara chegar em ti, tu sendo de menos posses, e tu cortar o cidadão, ele poderá te chinelear às ganhas, lembrando indelicadamente onde tu mora e coisas assim. E vai te mandar à merda, deixando caminho livre pra outro. O processo vai continuar até tu começar a se sentir definitivamente queimada no meio masculino. Por isso, gurias como tu sacam que devem se entregar mais facilmente aos caras, justamente para manter a tranquilidade e não ser achincalhada de graça.
- É, é bem assim!
- Já as patriçoilas têm crédito. Um cara chega numa delas e certamente vai ouvir aqueles esparros típicos de gurias mimadas. Mas como ela tem grana e status, o cara vai insistir. Assim, a guria vai poder enrolar o máximo, sem que ela ouça barbaridades. Afinal, quem ousaria xingar uma menina que todos querem? Nisso, elas acabam descobrindo seu corpo muito mais tarde.
- Hahah... pior: esses guris são muito trouxas. Ficam se atirando em cima dessas gurias cheias de frescuras, hahaha...
- É, eu sei como é. Bem, mocinha, e para essa noite? Sugiro uns lugares legais, como o Divina Comédia, em Porto: lá tem umas bandas e tal e um som agradavelmente pop, mas com informação. Ambiente todo anos 40 e tal...
- Hummm...
- Tem aqui pela região o Pop Cult, em Noia, onde rola só bandas com som próprio e o lugar é mais lado B e tal. Tem o velho Tio Remi, em Igrejinha, onde eu já toquei umas 200 vezes e é sempre uma opção afudê e com bandas de Rock muito interessantes.
- Ai, tá... mas por que a gente não vai lá no Star? Dizem que hoje vai tá muito fera!
- Star? Aquele onde rola só bailão?
- Ééé! Vamos! Vai ser tri...
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Depois dessa, até achei que 3 pila pro táxi de volta saiu caro demais.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A televisão me deixou burro

- Mil quatrocentos e quanto???

Nem terminei de ouvir a proposta indecente do vendedor. Ora... precinho salgado para ver essa Copa de caneladas mil numa TV nova, hein?!

Tentei comprar uma mais na onda de ter algo moderno em casa, mesmo não sendo lá meu feitio. Meu televisor atual emite seguidamente uma onda sonora incrivelmente irritante e aguda, próxima ao ultrassom. Incomoda pra caralho, o gato de casa fica louco e a família briga. Tivesse eu perto do botão-da-bomba, tratava de mandar um continente pelos ares! Então, lá fui eu para adquirir a tão sonhada telinha de LCD ou plasma, tanto fazia. Falo dessas maravilhas planas, pretas e com a base pesada, que decoram desde salas da burguesia a casas de emergentes. Em qualquer um dos casos, creio que nunca seriam ligadas mesmo.

Mas a real é que foi sorte estar tão cara. Pensando friamente, não há vantagem alguma até agora em você pegar seu rico dinheirinho e torrar num aparelho desses. Sim, eu também já vi as propagandas dizendo sobre a bestial vantagem do mundo digital, como o sinal que vem sem chuviscos e fantasmas, enaltecendo a riqueza de detalhes das imagens. Só que eu devo estar de muita má vontade com o modus vivendi atual mesmo.


Já passei pelas lojas que vendem essas coisas e vi os vídeos que os malandros botam a rodar para convencer o cliente. É só filmagem de paisagens vastas, detalhes em close de plantas supercoloridas, água corrente e movimentos de águias americanóides em câmera lenta. Lindo, não? Não. É só grudar o olho na tela e ver a intensa pixelização, o contraste ligado às ganhas e a imagem alargada, fazendo a Xuxa engordar não os outrora 5, mas 10kg. Nem experimente ver a programação da TV aberta num objeto desses: os chuviscos, que foram tecnicamente banidos, aparecem como que por mágica.

Talvez seja um processo inevitável, esse, de jogar fora sua velha TV de tubo de raios catódicos (nome bem mais afudê que "tevê de plasma"). As imagens que chegam da Copa da África já descem previamente esmagadas para quem assiste pelo tubo. Logicamente, ficariam normais numa tela mais larga; por isso é de propósito os malditos tira-teimas com marcações fora dos limites laterais de sua velha Philco-Hitachi.

Em breve aparecerá um grupo saudosista zelando pela eternização da TV de raios. E estarei com eles, baseado nos mesmos princípios que prendem milhares de músicos aos ainda perfeitos amplificadores à válvula. E ao fato de poder assistir a velha tela de lado, e não só em linha reta.

Insistência

- Mulheres são perigosas, Costela...
- Total... mas qualé? Vai querer jogar pelo outro time agora, seu merda?
- Não, cara... só falei que são perigosas!
- E?
- Gosto do perigo, meu. Isso é que é foda... hora dessas ainda tomo no zóio.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O menestrel dos dissabores urbanos

- Tá, mas vamo comer pela rua mesmo, né? Eu vou no pescoço daquele cachorro-quente da República e já eras!

- Eeeei, ô, meu! Tu come esses troço na rua e depois morre, hahahah!

- Sugere o quê?

- Vamo comê no (nome censurado)... bem melhor.

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Voto vencido que geralmente sou, acompanhei meus amigos cretinos até o lugar citado, disposto a doar meu ordenado ao capitalismo selvagem da capital de todos os gaúchos. Pedi um infalível xis-frango (desses que, volta e meia, me presenteiam com um ossinho perdido no meio das carnes) e cuidei o atendimento. Foi ruim. Sinal de comida boa.

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Mas como toda regra tem lá sua maldita e deslocada exceção, veio uma droga de um xis-prato, tipo de restaurante, a coisa mais sem graça, boçal, bundona e insípida que há. Saca que eu prefiro xis de pegar com as mãos? Prefiro ter aquele domínio da presa, como quem gruda os dedos no braço da primeira china que aparece se arreganhando pro vivente. É uma espécie de nível de dificuldade que dá charme ao processo como um todo. Tem xis na Cidade Baixa pré-programado para deixar impossível o cara comer a merda do alimento rapidamente. Só que o negócio esfria uma hora; não é como os cachorros-quentes famosos de Porto, que, quentes ou frios, continuarão a ter formato de barca cheia navegando pelo Létis.

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Essa parada de nível de dificuldade, outrora retratado com autoridade incomum por mim mesmo, aqui no RWOL, tem lá todo um cuidado para que não extrapolemos os limites do minimamente aceitável. Tipo, tá, o malandro vai numa churrascaria pra matar a fome e sentir o gostinho defumado de carne de boi e tudo o mais... mas não é um churrasco! O tri mesmo é juntar a bagaceirada, tomar ceva ou capirinha (Fúlvio faz umas de derrubar a galera), espetar os cortes bovinos, salgar, fazer fogo, abanar a porra dos carvões, meter a droga toda pra assar e cortar, enfim... tem ritual. Quem prefere um CD do The Who se o Nino Lee tem um triplo dos caras, um branco, outro azul, outro vermelho, justamente para gastarmos minutos olhando pros discos e mirando a agulha nos sulcos? Quem compraria chimarrão em caixinha, se a graça é justamente montar a cuia, a erva... falando em erva, quem compraria maconha pronta? Bom, não é o caso agora.

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Todos numa faceirice cuiuda e eu já de beiço. Frescura minha, eu sei, afinal o que não mata, engorda... e certamente isso valia para uma alfacezinha minúscula que se mexia pelo prato do Mará. Espantado, conferi de perto e vi que era uma larvinha verde, simpática e fofa, que fugia do meio das verduras de meu xis-prato. Tadinha: se viu perdida e zelou por sua vida.

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Como eu, em princípio, zelava pela minha também, tratei de sentir nojo. E ri. Os camaradinhas já ficaram receosos para com seus xises. Provavelmente alguma amiga de Pituxa, a larva quente, deveria a essas alturas estar sofrendo com meu tubo digestório. Chamei o garção:

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- Ô, meu guerreiro, seguinte: bah, tem uma alface ambulante no prato do beleza aqui.

- Opa... quer que façamos outro xis?

- Nanana, já eras... vou meter esse mesmo. Foda-se!

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Tem coisas famosas que realmente te levam a ser convencido de que tais coisas são boas. Fui a um show do Rappa num evento de uma rádio local, aaaaanos atrás. Na real, fui ver Capital Inicial. A banda de Falcão veio antes. Pensei: "Porra, esses caras são tri falados, ganham prêmios cretinos e o escambau, e só conheço 'Vapor barato', 'É dia de feira' e 'Pescador de ilusões'...". Fui para ficar chapado com o som deles. Queria que me mostrassem o porquê do auê todo.

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Lógico que tomei no cu tranquilo. Era para ser um show de Rock, mas vi um de rap, pois Falcão não canta ao vivo; ele fala as músicas. Ouvia o baixo alto (!) e embolado, sem ser culpa da banda. Sentei nas britas, cultivei uma bermuda suja de mijo, cerveja e poeira. E achei tudo uma merda.

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Fim da comelança. Fomos pagar. Galerinha desembolsando tartarugas-marinhas e eu na espreita.

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- Ô, rapaziada, quem é o cara do xis que deu problema?

- Opa, sou eu, campeão!

- Tá, seguinte: não precisa pagar. Fica por conta da casa.

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Nessas horas é que penso que os bichinhos de Deus, que tanto afofam o húmus necessário para as arfácia crescerem, são bem-vindos em nossa alimentação e ajudam no capitalismo selvagem. Com o dinheiro poupado, comprei uma jaqueta jeans suburbanolondrina num brechó monmartriano da Lima e Silva.